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A História da Ordem da Aurora Dourada (Golden Dawn)     

 

No final do século XIX muitos Europeus estavam considerando os ensinamentos ocultistas, o Hermetismo, a Magia e Alquimia, como tradições válidas e alternativas à fria descrição do mundo feita pelo materialismo científico, ou às irracionais explicações da cosmovisão religiosa oficial, presa ao literalismo obscurantista. 

 

As cabeças pensantes do mundo esotérico também não estavam exatamente satisfeitas com o excessivo Orientalismo adotado e preconizado pela famosa Sociedade Teosófica, buscando um resgate da rica e expressiva tradição do próprio Ocidente, que abarcava, por exemplo, a antiquíssima magia do Egito, a celestial Kabbalah, as tradições de Mistérios Greco-Romanas, o Celtismo, as tradições dos Magos medievais e suas "gramáticas" (grimoires), a enigmática 

Magia Enochiana, o Hermetismo, o Pitagorismo e o Neo-Platonismo.

 

O embrião deste projeto que viria a ser conhecido como a Golden Dawn parece ter começado a se formar em 1881, quando três irmãos Maçons, Rosacruzes e Qabalistas- William Robert Woodman, William Wynn Westcott e Samuel Liddel "MacGregor" Mathers- se conheceram e começaram a trocar ideias. Em 1881, eles foram iniciados na Societas Rosacruciana in Anglia, um grupo de estudiosos eruditos da tradição Rosacruz e Hermética que aceitava apenas Mestres Maçons. O jovem e idealista Mathers era o protegido de Westcott, e por seu próprio mérito e intelecto avançou rapidamente ao posto mais elevado na SRIA.

 

Já em 12 de fevereiro de 1888, o mesmo ano em que Jack o Estripador aterrorizava Londres, nossas três  cabeças pensantes do esoterismo se reuniram para formar oficialmente aquela que é considerada como o ápice da Tradição de Mistérios do Ocidente, a Ordem Esotérica da Aurora Dourada (pois é, o nome original não era Ordem "Hermética" da Aurora Dourada). A ordem deveria ao mesmo tempo ser uma síntese do tesouro esotérico do Ocidente e atuar como guardiã e perpetuadora destes Mistérios.

 

 

Graus da Ordem Golden Dawn

 

Neófito 0 = 0  

        Este é o primeiro grau da Ordem Externa da Golden Dawn e, em muitas maneiras, seu rito iniciatório destaca-se das outras cerimômias de iniciação aos graus subsequentes da Ordem. O  0=0 é indicativo de que  este grau não faz parte de nenhuma esfera da Árvore da Vida Qabalística. A cerimônia é uma introdução ao processo de iniciação  e ao extenso curriculum da Ordem.

Desta rica e profunda cerimônia, repleta de significados, derivam-se praticamente todas as técnicas e fórmulas da Ordem.

É a chamada "Fórmula do Neófito".

Esta cerimônia é designada para atrair a LUZ DIVINA até o templo, por meio da atuação dos oficiais ritualísticos, e a implantação desta Luz na aura ou esfera de sensação do candidato.

Este grau é um período onde o candidato é considerado um "probacionista", ou seja, a Ordem testa o aluno para verificar sua disciplina, caráter e determinação em realizar a Grande Obra.  O estudante, por sua vez, prova (testa) a Ordem para verificar sua compatibilidade com o espírito (egrégora) da Ordem e para obter um entendimento básico sobre a Arte Hermética. 

Nesta fase o estudante deve meditar e escolher o seu moto ou lema mágico que norteará este período de seu progresso. Instruções detalhadas sobre este  são fornecidas.

 

O embasamento mitológico para a Cerimônia de Iniciação do Neófito está no conceito egípcio do Salão de Julgamento relatado no antigo Livro dos Mortos do Egito Antigo. A cerimônia envolve repetidas purificações, a confissão de que o "morto" (representado pelo candidato) não cometeu uma série de atos negativos. Após o que, o "morto" contempla a pesagem de suas passadas ações no plano terrestre, na Balança de Maat. Tudo é registrado por Thoth, o deus escriba, enquanto a um ponto Ammit, um animal horrendo (a persona malefica do indivíduo) aguarda para devorar a alma daquele que tenha vivido uma vida má e indigna.  Ao vencedor é dado o prêmio supremo: ser levado pelo deus Hórus até Osíris (deus da morte e ressureição) em seu trono. Ali encontra-se o eterno símbolo da transformação: a flor de lótus que surge imaculada em meio ao lodo. Em meio à Luz Infinita, ocorre então a sagrada união do morto ao Redentor (Osíris), coroando a cerimônia.

 

Sem a menor dúvida, uma das mais belas cerimônias já desenhadas na Tradição de Mistérios do Ocidente, e uma que não é apenas representação teatral. Por meio de técnicas mágicas, os oficiais ritualísticos "incorporam" ou canalizam e representam as divindades egípcias do belo drama ritual e a maior parte da "ação"ocorre realmente no nível "astral".

 

Os próximos quatro graus estão relacionados com os quatro elementos: Terra, Ar, Água e Fogo.

 

 

Material de Estudo e Práticas do Grau:

Banir e Limpar a Aura (Esfera de Sensação)

Técnicas para invocação da Luz Divina

Técnicas de Cura

Trabalho do Neófito

Iniciação à Astrologia

Iniciação ao Tarot e Adivinhação

Meditação

Simbolismo da Alquimia

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A Londres Vitoriana na época da formação da Aurora Dourada

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O impacto que a Ordem exerceu sobre o Ocultismo Ocidental foi, no entanto, muito maior. Seus rituais, conhecimentos, filosofia e membros influenciaram tremendamente todo o esoterismo do Ocidente. A Wicca,  AMORC e organizações similares, Thelema, Druidismo, Left Hand Path, todos estes movimentos foram influenciados ou diretamente fundados por pessoas ligadas à Ordem ou seus ensinamentos. 

 

O recrutamento para as fileiras da Ordem, que naqueles tempos era bastante sigilosa, era feito apenas por convite pessoal ou pequenos anúncios publicados no jornal Teosófico, "Lúcifer". A Magia era considerada um meio eficiente e legítimo de causar a conexão com um reino espiritual elevado.

 

Embora muito influenciada pela ritualística maçônica, a ordem aceitava igualmente 

homens e mulheres e algumas delas, como Dion Fortune, vieram a se tornar pesos pesados do Ocultismo Ocidental. Embora fosse conhecida como Golden Dawn, esta era de fato apenas a Ordem Externa de três ordens. A primeira sendo a Aurora Dourada (Golden Dawn), a segunda sendo a RRAC (Rosae Rubeae et Aureae Crucis), predominantemente Rosacruz, e finalmente, a mais fechada e inacessível das Ordens, a Argentum Astrum (Estrela de Prata). Esta última sendo "acima do Abismo", além dos limites do plano material da existência.

 

A Golden Dawn (ordem externa) transmitia conhecimentos esotéricos e uma filosofia baseada na Qabalah Hermética. O iniciado realizava o auto-conhecimento e harmonizava os quatro elementos de sua psiquê em progressivas iniciações cerimoniais,ao mesmo tempo em que aprofundava estudos sobre Astrologia, Neo-Platonismo, Alquimia, Qabalah e Métodos Divinatórios.

 

A Segunda Ordem, a Rosae Rubeae et Aureae Crucis ("Rosa Vermelha e Cruz de Ouro") ensinava, àqueles que eram admitidos em suas fileiras, as técnicas práticas da Magia Qabalística e Enoquiana. A Terceira Ordem (realmente secreta) é a dos "Chefes Secretos" que dirigem as ordens abaixo por meio de contatos ocultos com os Chefes da Segunda Ordem.